SciPy Latin America 2015 – Inscrições e Chamada de Trabalhos

O evento latinoamericano sobre aplicações de Python nos mais diferentes campos das ciências, engenharias e afins, está com as inscrições e chamadas para submissão de trabalhos aberta!

Há 4 tipos diferentes de propostas de trabalho que podem ser submetidas: Palestras, Tutoriais, Pôsteres e Palestras relâmpago, e podem ser submetidos trabalhos em inglês, espanhol ou português. O deadline é dia 6 de abril. Para mais detalhes confira a página da chamada de trabalhos.

O evento ocorrerá em Posadas, Misiones, Argentina, de 20 à 22 de maio e as inscrições são gratuitas. Para maiores informações, mantenha os olhos na página do evento.

Cold but cool

gran-stamUm dos ângulos da Estocolmo antiga, Gamla stan

Já fez um mês que deixei o Brasil pra passar uma curta temporada na capital da Suécia, Estocolmo, assumindo uma vaga de pesquisador visitante na Kungliga Tekniska högskolan – que você pode chamar em inglês de Royal Institute of Technology ou simplesmente usar a sigla KTH. Havia comentado sobre essa aventura antes aqui no blog através de um post em inglês que pretendia pegar algumas dicas sobre onde morar, custos de vida, essas coisas.

Vim parar aqui por conta do grupo de pesquisa PSMIX, que desenvolve estudos de aplicações de sistemas multiagentes como ferramenta para controle distribuído em sistemas de potência tipo smart grids – ou seja, o mesmo assunto que desenvolvo no meu doutorado. Tenho interesse em especial na plataforma de simulação que eles desenvolveram, que utiliza um conjunto de RaspberryPi conectados entre si.

kth-neveKungliga Tekniska högskolan (ou só KTH mesmo) e muita neve

No momento estou sentindo na pele o inverno nórdico, com temperaturas sempre baixas e neve por todo lado. Acho que o maior “calorzinho” que peguei na rua deve ter sido uns 3 °C, mas a média tem variado entre -1 °C e 2 °C. A mais baixa temperatura foi -9 °C, mas nesse dia fiz questão de não sair de casa.

Apesar dessas temperaturas, você só irá senti-las por aqui caso saia para a rua. As casas suecas são muito preparadas para o frio e mesmo o transporte público tem aquecedor. Tanto onde moro quanto no laboratório, a temperatura sempre está entre agradáveis 20 °C, 25 °C. Entretanto, para visitantes estrangeiros como eu, não sair de casa para dar uma volta por causa do frio não é uma opção.

Estocolmo é uma cidade muito bonita, repleta de parques, lagos e pontes dividindo espaço com prédios de arquitetura medieval, barroca ou contemporânea. Galerias de arte, museus, centros de compras, restaurantes dos mais diversos tipos, pontuam a cidade em seus diversos bairros. O transporte público é muito eficiente, com hora marcada para chegada de ônibus e metrô, e a partir deles é possível se deslocar pela cidade de forma muito simples.

Logicamente, a cidade também tem seus problemas. Um dos maiores certamente é o déficit habitacional – é dito que Estocolmo tem 2 milhões de residentes, mas há apenas 924 mil unidades habitacionais disponíveis. Alguém que tenha recentemente entrado em uma lista de espera para compra de imóveis pode demorar anos até ver a sua vez chegar. Isso eleva o preço das habitações, chegando a ser bastante comum o aluguel de um quarto em residência compartilhada com preços a partir de 5000 coroas suecas (pouco mais de 1600 reais).

No meu caso, como sou pesquisador visitante e não estudante, foi me oferecido um flat em um município 70 km distante de Estocolmo, Norrtälje. Essa cidade faz parte de algo como o estado de Estocolmo, e aqui tenho um apartamento num preço comparável ao de um quarto em residência compartilhada. Também há confortáveis ônibus fazendo o trajeto entre as cidades de 15 em 15 minutos – o problema é o tempo de deslocamento dessas viagens. Estou pensando se para os dois últimos meses do estágio me mudarei para Estocolmo ou não.

Outro ponto negativo é o custo de vida em Estocolmo. Comer é caro – em média 120 coroas suecas (40 reais) por refeição. Há restaurantes mais em conta que fazem promoções para alguns pratos na hora do almoço, que acabam ficando em torno de 65 coroas (20 reais). O ticket para uma viagem no transporte público custa 25 coroas (pouco mais de 8 reais), o que acaba te induzindo a comprar o cartão de transporte (taxa de 20 coroas ~ 7 reais e pouquinho) e carregá-lo com permissão para número ilimitado de viagens por uma semana (300 coroas ~ 100 reais) ou um mês (790 coroas ~ 255 reais).

Mas bem, apesar dos pontos ruins acima tem sido uma experiência bastante interessante. Morar num país tão diferente e conviver com pesquisadores de várias partes do mundo tem sido bastante enriquecedor, um desafio ininterrupto. Espero escrever mais sobre esse momento que estou passando aqui, minhas impressões e mais, compartilhando com os amigos esses tempos diferentes, gelados porém legais.

casa-neveVista do lugar onde moro – em um dia de muita neve

E fica meu agradecimento à FAPESP, agência de fomento à pesquisa do estado de São Paulo que está bancando essa fase dos meus estudos através de uma bolsa BEPE.

SciPy-LA: construindo a comunidade (e a conferência!) latino-americana de Python na ciência

Logo não definitivo baseado na Wiphala, a bandeira dos povos andinos e também uma das bandeiras oficiais da Bolívia

Python é uma linguagem de programação de propósito geral e é interessante que, com o passar do tempo, sua comunidade acabou “se especializando” e criando subcomunidades relacionadas com as diferentes utilizações da linguagem. Portanto, temos hoje o pessoal em torno de aplicações web com Python; utilização de Python como primeira linguagem de programação (Python no ensino de programação); Python para dispositivos embarcados; e outras mais.

Uma de grande destaque é a comunidade de Python voltada à aplicações científicas – que subentende-se também aplicações para engenharias, matemática, estatística, e outras relacionadas com ciência computacional ou computação científica. Essa comunidade, conhecida como SciPy, vem realizando aplicações de Python nesses diferentes campos, desenvolve bibliotecas de funcionalidades comuns a essas aplicações (como a biblioteca e o stack também chamados SciPy), e também realiza conferências científicas sobre Python nesse ambiente (as conferências também são chamadas SciPy).

No Brasil já tivemos algumas trilhas voltadas à aplicações científicas com Python nas conferências PythonBrasil. Já os hermanos argentinos tem experiência em realizar conferências específicas sobre o tema, tendo organizado duas edições da SciPy Con Argentina, uma em 2013 e outra em 2014, e pelas programações é possível imaginar que foram eventos de boa qualidade.

Então eles que resolveram lançar a ideia: por que não uma SciPy Latino-Americana?

Resolvi embarcar e ajudar como posso na realização desse evento. Penso que todos nós temos a ganhar com a integração Latino-Americana, e evidente que um grande evento unificado não inviabiliza outros eventos, mais localizados. Quem sabe reunindo as comunidades de todo o subcontinente conseguiremos fazer um grande evento?

Quem quiser ajudar, entre na lista de e-mails (posts em espanhol, inglês ou português) e vamos discutindo. O local e data sugeridos para o SciPy-LA 2015 seria na última semana de maio de 2015, na cidade de Misiones, Argentina.

SciPy-LA: construindo a comunidade (e a conferência!) latino-americana de Python na ciência

Logo não definitivo baseado na Wiphala, a bandeira dos povos andinos e também uma das bandeiras oficiais da Bolívia

Python é uma linguagem de programação de propósito geral e é interessante que, com o passar do tempo, sua comunidade acabou “se especializando” e criando subcomunidades relacionadas com as diferentes utilizações da linguagem. Portanto, temos hoje o pessoal em torno de aplicações web com Python; utilização de Python como primeira linguagem de programação (Python no ensino de programação); Python para dispositivos embarcados; e outras mais.

Uma de grande destaque é a comunidade de Python voltada à aplicações científicas – que subentende-se também aplicações para engenharias, matemática, estatística, e outras relacionadas com ciência computacional ou computação científica. Essa comunidade, conhecida como SciPy, vem realizando aplicações de Python nesses diferentes campos, desenvolve bibliotecas de funcionalidades comuns a essas aplicações (como a biblioteca e o stack também chamados SciPy), e também realiza conferências científicas sobre Python nesse ambiente (as conferências também são chamadas SciPy).

No Brasil já tivemos algumas trilhas voltadas à aplicações científicas com Python nas conferências PythonBrasil. Já os hermanos argentinos tem experiência em realizar conferências específicas sobre o tema, tendo organizado duas edições da SciPy Con Argentina, uma em 2013 e outra em 2014, e pelas programações é possível imaginar que foram eventos de boa qualidade.

Então eles que resolveram lançar a ideia: por que não uma SciPy Latino-Americana?

Resolvi embarcar e ajudar como posso na realização desse evento. Penso que todos nós temos a ganhar com a integração Latino-Americana, e evidente que um grande evento unificado não inviabiliza outros eventos, mais localizados. Quem sabe reunindo as comunidades de todo o subcontinente conseguiremos fazer um grande evento?

Quem quiser ajudar, entre na lista de e-mails (posts em espanhol, inglês ou português) e vamos discutindo. O local e data sugeridos para o SciPy-LA 2015 seria na última semana de maio de 2015, na cidade de Misiones, Argentina.

Apresentando um estudante do Season of KDE 2014 – Minh Ngo

Season of KDE é um programa da comunidade KDE que auxilia novatos no desenvolvimento de projetos de software livre. Este ano estou trabalhando como orientador em um projeto relacionado ao Cantor, há muito requisitado pelos usuários – o desenvolvimento do backend para Python 3. Você poder ler mais sobre o Cantor em meu blog (textos em inglês e português). Vamos dar as boas-vindas e desejar boa sorte e bom trabalho à Minh Ngo, o estudante por trás desse projeto! Ele escreveu um texto de apresentação que traduzo abaixo.

Olá,

Meu nome é Minh,

Minh Ngo

Sou um estudante graduado. Sou vietnamita, mas ao contrário de outros estudantes vietnamitas, passei boa parte da minha vida na Ucrânia. Atualmente estou me preparando para um curso de mestrado, que devo iniciar no próximo semestre.

Open source é meu hobby nos tempos livres, onde eu gosto de fazer algo de útil para a comunidade. Anteriormente eu participei do Google Summer of Code 2013 e em vários outros projetos open source. Alguns dos meus projetos pessoais estão disponíveis no github em https://github.com/Ignotus. Eles não são muito populares como outros projetos legais, mas várias pessoas estão usando eles e isso me faz muito feliz :) .

Cantor é uma oportunidade para dedicar meu tempo para criar coisas úteis e ganhar uma exclusiva camiseta do KDE :) . Eu decidi começar minha contribuição com o backend do Python 3 porque meses atrás estava fazendo algumas aulas relacionadas com aprendizado de máquina, o que me fez procurar por um backend estável, em versão desktop, para o IPython. Eu não gosto muito da versão notebook do IPython, e a versão qtconsole não satisfaz meus critérios de funcionalidade, portanto decidi encontrar algum frontend para IPython que eu pudesse modificar para mim mesmo. E assim minha história com o Cantor começou :) .

Happy hacking!

As Crônicas das Terras Apartadas – Quinta Sessão

Tendo matado a quimera, o grupo de aventureiros, querendo saber mais sobre a história da torre, resolveram libertar um dos prisioneiros dos tubos. Agnus libertou o jovem humano e, com a ajuda de Edgard, retiraram o líquido dos pulmões dele.

O paladino precisou impor suas mãos sobre o rapaz desfalecido para que ele recuperasse a consciência. Ele levantou-se com dificuldade e disse que não sabia onde estava e nem quem era exatamente. Nem sequer lembrou do próprio nome.

Vendo que haviam outros como ele, preso em tubos contendo um líquido verde fluorescente, o jovem pediu que libertassem os outros, precisamente a mulher. No entanto, sabiam os outros que a mulher na verdade era uma dríade. Edgard recorreu a uma oração para revelar quem teria comportamento maligno entre os presos e sentiu que o gnoll e o sátiro tinha esse comportamento.

Por isso, resolveram libertar a dríade. Cuidaram de retirá-la da mesma forma que o outro, mas ela reagiu melhor. Não somente se lembrava de quem era, qual o seu nome (Drielle), como disse que nem foi induzida ao sono completamente ao longo dos anos como prisioneira.

Edgard apaixonou-se profundamente pela dríade enquanto conversava com ela. Foi difícil vê-la partir. Drielle, com condições de andar, pediu ajuda para sair daquela torre e voltar à sua floresta natal. Com relutância, deixaram que partisse. O outro liberto permaneceu com eles.

Depois disso, os aventureiros continuaram buscando o livro. Vitus disse que o livro poderia estar no topo da torre que estava trancada magicamente. Poderia haver uma chave em algum lugar. Continuaram percorrendo os aposentos. Chegaram num corredor que dava para os quartos dos residentes.

Encontraram um esqueleto de mulher no último quarto. Lá encontraram alguns pergaminhos que fazia parte de um diário. O texto contava os últimos dias da feiticeira naquela torre, o ataque dos homens-lagarto, a fuga do colega que levou um globo, sua frustração por não conseguir pegar o livro na torre e sua descida ao cativeiro para libertar o guardião que a defenderia. O texto termina informando que o guardião estava prestes a invadir seu quarto.

Ainda nos aposentos, eles encontram uma chave mágica. Logo eles retornam à frente da porta da torre e conseguem abrir com ela. Lá dentro, o recinto era ocupada por uma pequena mesa, estantes de livros e uma escada que leva a um telescópio. O teto era transparente e denunciava a noite estrelada que havia chegado.

Um livro na mesa era o que eles estavam procurando, pois o símbolo prateado do círculo com quatro pontas estava desenhado em sua capa. Ao abrir, o mago ficou sabendo que o livro contava a respeito de uma detalhada porém metafórica e alegórica profecia do óraculo de Meliandre em Calaboulos. Tal profecia havia sido decifrada pelo autor do livro e dizia que as alegorias eram na verdade a localização e a data de nascimento do Dragão da Paz. O objetivo do ritual seria o de invocar o dragão. O ritual exigia também o sacrifício ritualístico de 5 espécimes de raças diferentes: um humano, um sátiro, uma dríade, um gnoll e um doplellganger e que o filhote estivesse visível para o invocador.

Os heróis ficaram estupefatos com o que tinham em mãos. O que o contratante quer com o ritual? Usá-lo ou protegê-lo? Com essas perguntas em mente, eles resolveram descansar e dormir na própria torre.

Até o próximo relato de nossas sessões de Dungeon World.

 

Campanha de Dungeon World num Cenário Próprio

As Crônicas das Terras Apartadas, Primeiras sessões

Ano 805 PD.

Estrelando:

  • Eduardo, como o ranger elfo, Throndir
  • Igor, como o ladrão halfling Balgrim
  • Marcus, como o paladino humano Edgard
  • Maurício, como o mago humano Vitus
  • Renan, como o clérigo humano Agnus

Lá vem o Marcus!

Nossa história começa numa noite fria de primavera na área mais reservada da estalagem de Ledius chamada Anão de Pedra (homenagem ao seu amigo anão petrificado por uma medusa) que fica na capital do reino de Astrilis, Nipem, onde o elfo Throndir conversava com seu amigo humano Edgard. Ambos tomavam seu hidromel e observavam à distância uma mesa barulhenta onde alguns rapazes jogavam dados. O paladino percebeu que havia uma trapaça naquela jogatina e resolveu levantar-se e acabar com aquele esquema. O elfo o acompanhou e temia pelo que estava por vir.

Edgard pegou um dos dados, revelou o embuste e a confusão estava armada. A luta não durou muito. Os dois companheiros deixaram alguns mortos e tudo isso foi observado pelo homem sentado numa mesa ao fundo.

Marcus de Tokrina é um conhecido contato entre os interessados por mercenários, assassinos, espiões, ladrões e rastreadores. Fez sua carreira em cima das mudanças ocorridas ao longo da última década. Ele veio de Tokrina, cidade predominantemente humana atacada e destruída pelo Império do Dragão.

E Marcus, conhecia Throndir de outros carnavais. A atuação dos dois amigos significou que ele encontrou quem poderá realizar a missão que o contratante quer. Assim, os dois foram chamados por Marcus. O intermediário conta que um contratante misterioso precisa de um livro que se encontra provavelmente numa torre próxima ao Rio Veio Verde no território do Império.

O preço do serviço e o destino foram suficientes para que ambos aceitassem o contrato. Então, Marcus, explica que eles devem partir amanhã bem cedo pois o contratante tem pressa. Edgard e Throndir vão atrás de outros companheiros para essa empreitada. Throndir convence o halfling Balgrim e o mago Vitus a ir com eles; Edgard fala com o clérico de Materidon, Agnus, que aceita o convite.

Na manhã seguinte, os companheiros encontram Marcus nas docas e este os apresenta ao comandante do navio Gaivota Sangrenta, o capitão Verus, que os levará até a Veio Verde pela amplo Rio Armejan.

O Velho, o Troll e os Goblins

A viagem que dura quase uma manhã inteira ocorre com tranquilidade. A eles são entregues dois pequenos barcos com remos. Os tripulantes desejam boa sorte, alertam quantos aos homens-lagartos e descem o leito do rio rumo ao litoral. Agora os aventureiros estão prestes a entrar em terreno inimigo.

Sabe-se que o rio que eles percorrem agora faz fronteira em sua margem esquerda com o reino dos elfos de Enzo Anril. Os imperialistas nessa área são representados majoritariamente pelos homens-lagarto que ao longo das margens do Rio Armejan costumam fazer incursões e ataques aos navios mercantes. O medo dos heróis seria encontrar com eles em situação desvantajosa. Realmente eles não tiverem tempo de sair do rio. Logo foram atacados por um grupo contendo mais de dez homens-lagarto. O combate foi medonho mas a superioridade numérica dos monstros foi superada pela força e habilidade dos aventureiros.

O mago Vitus tornou Balgrim invisível e o halfling aterrorizou a retaguarda dos homens-lagarto. O paladino e o clérico foram os mais visados com a maior parte dos monstros indo pra cima deles. Throndir tentou proteger o mago dos inimigos mas acabou se ferindo gravemente pelas lanças. Por fim, somente sobrou um inimigo enquanto outra parte fugiu. A criatura foi interrogada e declarou que não sabia onde existia uma torre mas sabe quem poderia dizer algo sobre isso: um velho que mora perto de um monte.

Fizeram uma pequena parada após soltarem o homem-lagarto para descansar e cura as feridas. Vitus tentou curar o ranger mas quase o levou a morte ao erroneamente disparar um míssil mágico nele.

E assim eles seguiram rumo ao nascer do sol, sempre subindo. E por lá eles começaram a ver as belezas de uma terra sem pessoas. Viram o rio de onde vieram do alto e avistaram homens-lagarto, provavelmente. Desse ponto, numa estrada em desuso eles sentiram um tremor vindo de trás, numa parte mais alta do terreno. Acontece que era uma criatura grande e forte descendo com passadas firmes. Então acontece que aquele era um troll e falou com eles. Nossos heróis se espantaram mas a verdade logo foi revelada. Quem falou era o velho que estava nas costas no monstro numa cangalha.

O velho apresentou-se como Ed, o Velho. Seu companheiro troll era o Igor. E o velho vivia realmente numa casa de madeira na base de um monte muito bonito e foi para lá que ele os levou. Não havia somente os dois mas também uma família de goblins: Tug, o macho, Zora, a sua esposa, e o filhote Tug Rog.

Os aventureiros sentiram-se tão bem recebidos e acolhidos que a estranha relação entre o velho e os monstros ficou em segundo plano. Assim eles passaram o resto do dia e da noite descansando da longa viagem para então partirem bem cedo para o cume do monte onde há uma torre de magos.

A Torre do Monte

O dia veio e Tug os guiou até o início da subida. Então começou uma dura caminhada sempre em subida que levou toda a manhã. Lá em cima eles viram muitas coisas: o Rio Armejan, Rio Veio Verde, a Floresta de Enzo Anril,  Lago da Donzela e a própria torre, no centro do monte. Uma construção de pedra negra em formato de éle (L) abandonada e com uma porta semidestruída. Eles entraram numa sala levemente iluminada pela entrada. Notaram a limpeza do local que destoava da ideia de abandono. Havia duas opções de caminho: descer para o subsolo ou subir as escada da torre.

A torre foi escolhida para ser visitada em primeiro lugar. Ao pé da escada eles foram atacados de cima. Uma grande criatura gelatinosa caiu sobre Throndir, Edgard e Agnus. O elfo foi o primeiro a conseguir sair de dentro do cubo de gelatina e ajudar os demais a atacar e salvar os colegas. Ao final de um combate desastrado que incluiu uma flecha amiga nas nádegas do halfling, os aventureiros seguiram adiante. No último andar eles encontraram uma porta. O halfling mais uma vez foi infeliz quando examinou a porta e levou um choque que o jogou até a parede oposta e o chão das escadas abaixo.

Sem condições de seguir adiante por conta dessa armadilha mágica, eles resolveram descer para o subsolo. Nas escadas que levam aos subterrâneos haviam esqueletos de reptilianos. Por boa parte do caminho adiante, outros corpos foram encontrados. Quem ou o quê havia matado aquelas criaturas? Os ex-moradores? Ou alguma outra coisa?

Encontraram uma cozinha e uma despensa com alimentos podres e estragados. Andaram mais um pouco sob a luz mágica de Vitus e chegaram a uma salão onde provavelmente os antigos moradores faziam suas refeições. Dali eles viram uma luz tênue esverdeada. Decidiram seguir naquela direção e entraram numa sala que servia com uma espécie de laboratório. Na parede oposta haviam cilindros contendo um líquido brilhoso e corpos em quatro dos cinco recipientes com mais de dois metros de altura. Reconheceram um humano, uma dríade, um gnoll e um sátiro. Todos vivos!

Mas não tiveram mais tempo para examinar. Throndir alertou os demais que alguma coisa estava vindo pelo corredor. Era uma criatura com três cabeças e corpo felino que começou lançando uma rajada com líquido venenoso com umas das cabeças e uma baforada de fogo com a cabeça maior, a central. Cercando e atacando o monstro por todos os lados, eles mataram a criatura com certa facilidade.

Até o momento eles não encontraram o livro e uma criatura vivam dentro de cilindros enormes e enfrentaram dois monstros. O que ainda falta aparecer?

Continua…

Histórias das Terras Apartadas – Parte 1

A Queda de Valkodia, por Kiron Seta de Fogo, capitão da guarda da Cidade Interna de Valkodia.

Era uma manhã chuvosa. As nuvens pesadas já haviam surgido na noite anterior. Esse chuvisco era mesmo esperado após o dia anterior terrivelmente quente.

A guarda fazia sua primeira troca de turno. Minha obrigação era vistoriar essa simples tarefa. Foi nesse momento que vimos as velas negras daqueles enormes navios. Os nossos navios ancorados foram os primeiros a sofrerem o ataque. Flechas incendiárias voaram e caíram sobre eles. A velocidade do aporte e desembarque foi impressionante.

Dos navios, os que desceram não eram piratas humanos mas os lendários orcs de outras terras. Quando eles começaram a construir navios? Essa resposta ficou para ser respondida muito depois.

O mais importante agora era fechar os portões. Os sinos badalaram em alerta de invasão. Os portões da cidade exterior não foram totalmente fechados. Descobrimos criaturas infiltradas que impediram o fortalecimento das defesas. Uma carga poderosa de guerreiros orcs atravessaram os portões, massacrando nossos homens. A mais forte resistência nesses momentos iniciais vieram dos cléricos da Ordem dos Poderes de Valkodia, individuos mais preparados, liderados por sua elite de Paladinos.

Por um momento, acreditamos que conseguiríamos expulsá-los de nossas muralhas. Entretanto, uma surpresa terrível veio do alto. Dragões cobriram o céu e cuspiram fogo, raios e gelo. Nossa esperança sucumbia e nosso povo procurava proteção na Cidade Interna mas já não podiam entrar. O outro problema era que ninguém conseguia sair também.

O fogo tornou-se um grande problema, mesmo com a leve chuva e a tentativa desorganizada de apagar os focos de incêndio. O governante da cidade ordenou a fuga generalizada. O portão oeste foi aberto e o povo sobrevivente correu por lá. A nobreza e o alto sacerdócio fugiram por túneis.

Assim chegou ao fim o grande santuário da Deusa da Civilização e a principal cidade-estado dos homens.

Cantor: novas funcionalidades no KDE 4.14

KDE 4.14 foi lançado em agosto de 2014, mas até o momento não tive tempo para escrever sobre as novas funcionalidades do Cantor disponíveis naquele release.

Portanto, vamos corrigir isso agora!

Novo backend: Lua

A família de backends do Cantor tem um novo membro: Lua, usando a implementação luajit.

Este backend já dispõe de várias funcionalidades: destaque de sintaxe, auto-complementação de código, carrega figuras no terminal, editor de scripts, e mais

Cantor + Lua em ação

O backend para Lua foi desenvolvido pelo brasileiro Lucas Negri, e isso é um motivo para eu ficar muito feliz. Bem-vindo a bordo Lucas!

Você pode ler mais sobre esse backend em um texto no blog do Lucas.

Uso de utf8 em códigos LaTeX

Quando você exporta seu terminal para LaTeX, a codificação utf8 agora é utilizada por padrão. Essa melhoria foi desenvolvida por Lucas.

Suporte à extensão pacotes nos backends para Sage e Octave

Agora estes backends tem um assistente para importar pacotes/módulos/bibliotecas.

Suporte para scripts que executam automaticamente

python2_autorun

Scripts para execução automática no backend para Python 2

Agora os backends para Python 2, Scilab, Octave, Sage, Maxima, Qalculate, e KAlgebra tem suporte para execução automática de scripts. Você pode configrar uma série de scripts ou comandos que serão executados no momento em que o Cantor carregar o terminal – ou seja, durante a inicialização.

Adicionado CTRL+Space como alternativa padrão à complementação de código no terminal

O comando padrão para complementação de código no terminal do Cantor é o botão TAB, mas agoras temos uma alternativa a isso: CTRL + Space. Isso manterá a consistência entre o editor de scripts (onde o comando padrão para essa funcionalidade é CTRL + Space) e o terminal.

Suporte inicial para os assistentes de algebra linear e criação de gráficos no Python 2

Desenvolvi um suporte inicial para dois plugins legais no backend para Python 2: algebra linear e criação de gráficos.

Primeiro, vamos ver o plugin de algebra linear. Na barra de menu, vá em Algebra Linear > Criar Matriz. Uma janela para criação de matrizes será aberta. Você deve então colocar os valores nas células.

python3_linearalgebraAssistente de criação de matriz

Após clicar no botão ‘Ok’, o comando para criação de matrizes da biblioteca numpy será carregado no terminal, automaticamente.

python2_linearalgebra_resultNova matriz criada

Por agora este plugin tem implementado apenas o suporte para criação de matrizes.

Veremos agora o plugin para criação de gráficos, que serve tanto para gráficos 2D quanto 3D. Façamos x = numpy.arange(0.0, 2.0, 0.01) e, na barra de menu, vamos em Gráfico > Gráfico 2D. A janela abaixo será aberta.

python2_graphicAssistente para criação de gráficos 2D

Você pode configurar uma expressão para o eixo Y (neste caso estou usando a função seno numpy.sin) e uma váriável ou função para o eixo X (neste caso, 2 * x * numpy.pi). Você poderia apenas colocar x no nome da variável para criar um gráfico dos valores de x.

Após pressionar ‘Ok’, o comando usando pylab será carregado no terminal para criar o gráfico.

python2_graphic_resultO assistente para gráficos 3D segue um padrão similar para criar as figuras.

Como você pode ver, utilizar esses assistentes requer alguns módulos do python carregados na área de trabalho, e eles devem ter os mesmos nomes utilizados nos plugins. Existem diversas formas de carregar módulos no ambiente python (import foo; import foo as [anyname]; from foo import *; etc), então fazer isso de forma genérica é praticamente impossível (na verdade eu queria ouvir algumas sugestões sobre isso da comunidade).

Minha escolha foi carregar numpy, scipy, matplotlib e pylab quando o backend para Python 2 é carregado pelo Cantor. Bem, eu pretendo mudar isso porque esses módulos passam a ser obrigatórios para o backend funcionar corretamente, e também porque pylab não é mais recomendado nas versões recentes do matplotlib. Então, eu espero alterar esse plugin o quanto antes.

De qualquer forma, gostaria de escutar as opiniões da comunidade de usuários de python no ambiente científico sobre essas funcionalidades.

Futuro

No momento estamos trabalhando no port do Cantor para Qt5/KF5. Você pode acompanhar esse trabalho no branch ‘frameworks‘ do repositório do Cantor.

Doações

Se você usa ou aprecia meu trabalho no Cantor, ou em algum outro projeto de software livre, por favor considere fazer uma doação para mim: assim eu poderei continuar me dedicando à contribuições e melhorias nesses projetos.

Você poderia considerar uma doação para o KDE também, e ajudar com a manutenção dessa grande comunidade de software livre e os projetos desenvolvidos por ela.

Mês do Contribuidor KDE: …para o Akademy

Nas últimas semanas tive um intenso “mês do contribuidor KDE” que começou com o LaKademy, a conferência latinoamericana, e terminou com o Akademy, a conferência mundial. Foi um mês um tanto cansativo, de muito trabalho, mas que também foi repleto de boas histórias, grandes reencontros, novos contatos, descobertas e, por que não dizer, divertido.

No artigo anterior falei sobre o LaKademy, e agora comentarei o que rolou no Akademy.

O LaKademy havia terminado apenas um dia antes e lá estava eu, novamente pegando ônibus à São Paulo e me preparando para uma viagem que levaria por volta de 35 horas até Brno, contando com uma escala inusitada em Dubai e um ônibus de Praga, a capital da República Checa, até a cidade do evento.

Chegando à Brno chamou-me atenção a bela arquitetura de cidade antiga do leste europeu, algo exótico para nós brasileiros. Durante o evento pude vez ou outra me aventurar pela cidade, principalmente em algumas noites para jantar e no Day Trip, e consegui apreciar com calma os detalhes de vários prédios, museus, o castelo, e a catedral da cidade.

Esse Akademy foi o segundo que participei, se contarmos o Desktop Summit em 2011. Dessa vez estava como membro do KDE e.V., a organização que gerencia a parte burocrática/política do KDE, portanto minha primeira atividade foi participar da assembleia geral.

Me encantou a maneira como dezenas de contribuidores de diferentes lugares do mundo e linhas de atuação estavam ali, discutindo o futuro do KDE, planejando passos importantes para o projeto, verificando as contas da entidade, enfim, fazendo um trabalho típico de qualquer associação. Achei também impressionante a longa salva de palmas que Cornelius Schumacher, integrante do Board do KDE e.V. desde 2002 e ex-presidente da associação, recebeu dos presentes, uma maneira de demonstrar gratidão por todo o trabalho que ele realizou nesses mais de 10 anos na direção da entidade.

Para finalizar o dia teve uma recepção aos participantes na Red Hat, que me impressionou pelo tamanho da empresa na cidade (três grandes prédios). Lá pudemos tomar cervejas do país e distribuímos um pouco da cachaça brasileira. =)

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O dia seguinte iniciou a fase das palestras, das quais destaco o keynote do Sascha (que acredito ter sido convidado para o Akademy após o Kevin Ottens ter assistido a palestra dele aqui no Brasil durante o FISL desse ano), e a palestra sobre o GCompris, um software que admiro bastante pela pegada direcionada às crianças. Infelizmente, uma das palestras que queria ter assistido não ocorreu, que foi a Cofunding KDE aplications. Em seguida tivemos o David Faure falando sobre ports para o KF5, e mais para o fim do dia uma apresentação dos grupos do KDE da Índia e Taiwan.

No segundo dia de palestras teve o curioso keynote do Cornelius que apresentou um pouco da história do KDE a partir de imagens de antigos contribuidores do projeto. Os destaques desse dia também foram as apresentações do pessoal do VDG, o grupo que está fazendo um belo trabalho de design no Plasma 5 e agora estão estendendo o alcance do ponteiro dos seus mouses para as próprias aplicações do KDE.

Outra apresentação interessante foi sobre Next Generaion of Desktop Applications, do Alex Fiestas, onde ele argumentou que os softwares da nova geração precisam combinar informações provenientes de diferentes serviços da internet, de forma a prover ao usuário uma experiência única. Ele usou alguns exemplos de aplicações desse tipo, e estou muito curioso para experimentar o Jungle, player de vídeo que terá essas características.

Finalizando este dia tivemos a palestra do Paul Adams, muito instigante, mostrando que após investigação no repositório do KDE podemos perceber que o grau de contribuição entre os desenvolvedores diminuiu com a passagem do SVN para o GIT, que o número de commits caiu, etc. Paul tem interessantes trabalhos nessa área, mas de minha parte acho que se faz necessário outros aportes para explicar isso, inclusive para entendermos se isso é algo necessariamente ruim. Talvez hoje estejamos mais especializados do que antes? Talvez a baixa dos commits seja apenas resultado da estabilização da base de código durante esse tempo? Algo que ainda não concluímos no KDE é entendermos que passamos de um grande projeto unificado (inclusive a nível de repositório) para uma grande comunidade de subprojetos (hoje nós somos meio como a Apache). Nesse cenário, cabe fazermos comparações com o que somos hoje com o que fomos ontem, baseado apenas nos nossos repositórios? De qualquer forma, é um bom ponto para refletirmos.

Já na fase dos BoFs, participei nas primeiras duas partes do voltado à documentação de software – um trabalho importante e necessário, e que todos nós desenvolvedores poderíamos dar um pouco mais de atenção -; FOSS em Taiwan e KDE Edu na India. Infelizmente não pude comparecer ao de empacotadores (bem, eu faço empacotamento no Mageia), porque chocou com o de Taiwan. Fica para a próxima. =)

No geral gosto de ver as experiências dos grupos de usuários/desenvolvedores em outros países; a parte gerencial dessas atividades me atrai, principalmente porque podemos aplicar uma ou outra no Brasil. Saí desse Akademy com o desejo de preparar algo sobre a América Latina para o próximo evento. Acredito que temos muito a compartilhar com a comunidade sobre o que andamos fazendo por aqui, nossos erros e acertos, e qual a contribuição dos latinoamericanos para o projeto.

Finalmente, nos demais dias continuei trabalhando no port do Cantor para KF5 ou estava conversando com diferentes colaboradores do projeto pelos corredores da universidade.

Para mim é muito importante participar do Akademy pois nele eu consigo visualizar a extensão do software livre e seus contribuidores, e como essa cultura da colaboração reúne gente tão diferente em prol do desenvolvimento e evolução de programas de computador livres. Portanto, gostaria imensamente de agredecer ao KDE e.V. pela oportunidade e dizer que me sinto muito bem em fazer parte dessa grande comunidade que é o KDE. =)

E o melhor de tudo é rever o pessoal e conhecer novas pessoas. A hora em que aquele endereço de e-mail ganha contornos de face humana é um momento muito especial para nós que trabalhamos “tão próximos e tão distantes”, para usar esse chavão bastante verdadeiro. Portanto, foi muito bom estar com todos vocês pessoas!

Foto da comunidade KDE no Akademy 2014 – aqui em tamanho gigante

E fica meu desejo de bom trabalho ao novo Board do KDE e.V.!

Quem tiver interesse, boa parte das palestras está com vídeo e slides neste link.