Convocatória para Assembleia Geral (Expandida) da APISOL

A Associação Piauiende de Software Livre (APISOL), organização não-governamental sediada em Teresina-Piauí, vem convidar seus associados e demais interessados nos temas relacionados ao software livre para participarem de assembleia a ser realizada dia 30 de julho de 2014 (quarta-feira) às 18:00h na biblioteca do IFPI campus Teresina-Centro (Biblioteca Dr. Francisco Montojos).

A assembleia tem como pautas exclusivas a discussão e decisão sobre o futuro da entidade.

Todos estão convidados.

Seminário na UNICAMP: “Tecnologias livres para o futuro”

Amanhã teremos um seminário legal reunindo uma galera legal discutindo um tema legal e espinhoso.

Quem não puder ir na Unicamp, vai ter transmissão via stream.

Esperamos vocês heim!

Tecnologias livres para o futuro

Depois de anos de lutas e sucessos, as tecnologias livres, especialmente o movimento software livre, vivem um momento singular. Em paralelo à crescente adoção por pessoas, governos, empresas e coletivos, surge um sentimento de que o próprio movimento está morrendo, diluído em estratégias corporativas, utopias sobre a comunicação em rede, dispositivos móveis e novas travas tecnológicas. A proposta desse debate é reunir pesquisadores interessados em aspectos técnicos, sociais, políticos, comportamentais e produtivos das tecnologias livres e, a partir de investigações sobre a história, as ideias e prática dessas tecnologias, buscar traçar questões e princípios que orientem reflexões sobre cenários futuros. Por que caminhos os movimentos em torno de tecnologias livres devem orientar suas lutas cotidianas de modo a fortalecer a igualdade de oportunidades, a colaboração e a justiça que fundamentam esses movimentos? A estrutura do evento privilegiará a conversa e a livre troca de ideias, com falas curtas de alguns participantes seguidas de um debate aberto.

Local: Labjor – Unicamp

Horário: das 10h às 13h e das 14h às 17h

Manhã

Rafael Evangelista: As ideologias free e open: a questão da igualdade

Miguel Said Vieira: Governança, estratégias e conflitos de interesse

A apresentação tratará de questões ligadas a governança e conflitos de interesse (entre empresas e usuários caseiros) em dois casos de software livre: o Android (e sua relação com as estratégias comerciais da Google); e os patches “ck” do kernel.

Filipe Saraiva: Software Livre – Tensões entre Movimento e Mercado

Discussão sobre as contradições de um movimento apropriado tanto por coletivos de ativistas sociais quanto por grandes empresas. A exposição se baseará principalmente na ideia da diluição de alguns aspectos ideológicos do movimento com o crescente número de usuários de software livre, e a relação entre empresas e software livre. Em seguida serão comentados alguns desafios do movimento, com foco principal na computação ubíqua.

Bruno Buys: O Movimento Software Livre no Brasil morreu? Que desafios se colocam no presente e o que podemos inferir para o futuro?

Tarde

Aracele Torres: Como a indústria do software adotou o padrão de código fechado

Uma breve história da indústria do software e como foi seu processo de inclusão no circuito de propriedade intelectual e o papel do Projeto GNU em se contrapor a isso. A ideia aqui seria discutir um pouco dessas tensões entre as demandas do mercado e as demandas sociais por acesso ao conhecimento.

Tiago Chagas Soares: Política e comunidade na emergência da Cibercultura

Um breve ensaio sobre algumas das proposições políticas e comunitárias presentes na emergência da Cibercultura. Como as noções de comunidade e autonomia individual na Cibercultura  entrelaçariam distintos vetores do pensamento político e cultural? – e como isso se manifestaria em conflitos intra e entre correntes ciberculturais? Neste debate, traremos à discussão o Forum Internacional de Software Livre (Fisl) como espaço a ilustrar esse panorama de pensamentos diversos, bem como seus componentes.

Fabrício Solagna: (vídeo) Movimento software livre, Propriedade Intelectual e direitos de internet

A exposição pretende trazer os conceitos de Kelty e Coleman sobre o movimento software livre global. Para analisar o caso brasileiro é usado Shaw e seu conceito de insurgent expertise relacionando a sua interface com a mobilização em torno do Marco Civil da Internet. O objetivo é discutir questões peculiares do Brasil onde a ascensão de quadros envolvidos com o movimento software livre dentro do Estado trazem uma nova agenda do software livre.

Vídeo

Essa atividade foi filmada e disponibilizada no Youtube. Houveram alguns problemas com a preparação da gravação e tal, mas dá pra acompanhar tranquilo e ficar por dentro do que rolou.

KDE passando o chapéu para realização do Randa Meeting 2014

Desde 2009 o KDE reúne durante alguns dias diversos desenvolvedores na cidade suíça de Randa para trabalharem em projetos chave da comunidade. Esses sprints já resultaram em importantes avanços para os usuários das tecnologias desenvolvidas pelo KDE, como o KDE Frameworks 5, o Plasma Next, melhorias no Qt, diversos softwares do KDE Edu, e mais.

Em 2014 haverá uma nova edição desse encontro, o Randa Meeting 2014, e a comunidade iniciou uma campanha de arrecadação para custear essa atividade.

Visite a página da campanha ou a versão que o KDE Brasil traduziu e saiba mais sobre os projetos desenvolvidos nas edições anteriores, quais os planos para a edição de 2014, quem deverá participar, quais os tipos de despesas, e mais.

Eu já fiz minha contribuição, agora é com você – seja usuário, desenvolvedor, ou simpatizante do KDE ou das comunidades e ideias do software livre em geral, contribua! Toda ajuda é bem-vinda.

KDE passando o chapéu para realização do Randa Meeting 2014

Desde 2009 o KDE reúne durante alguns dias diversos desenvolvedores na cidade suíça de Randa para trabalharem em projetos chave da comunidade. Esses sprints já resultaram em importantes avanços para os usuários das tecnologias desenvolvidas pelo KDE, como o KDE Frameworks 5, o Plasma Next, melhorias no Qt, diversos softwares do KDE Edu, e mais.

Em 2014 haverá uma nova edição desse encontro, o Randa Meeting 2014, e a comunidade iniciou uma campanha de arrecadação para custear essa atividade.

Visite a página da campanha ou a versão que o KDE Brasil traduziu e saiba mais sobre os projetos desenvolvidos nas edições anteriores, quais os planos para a edição de 2014, quem deverá participar, quais os tipos de despesas, e mais.

Eu já fiz minha contribuição, agora é com você – seja usuário, desenvolvedor, ou simpatizante do KDE ou das comunidades e ideias do software livre em geral, contribua! Toda ajuda é bem-vinda.

Complementação de código no editor de scripts do Cantor

Alguns meses atrás escrevi sobre as novas funcionalidades disponíveis no Cantor a partir do lançamento do KDE 4.13. Entretanto, eu acabei não escrevendo sobre uma nova e bastante útil funcionalidade também disponível naquele lançamento – a nova complementação de código disponível no editor de scripts do Cantor.

Eu havia desenvolvido o destaque de sintaxe padrão para cada backend que suporta o editor de scripts. Esse editor é baseado em KatePart/KTextEditor, uma impressionante biblioteca da KDE libs utilizada em vários softwares do KDE, como o KWrite, Kate, Kile, KDevelop, e mais.

Os desenvolvedores do Kate lançaram uma nova funcionalidade no KDE 4.13, uma versão melhorada da complementação de código para todas as linguagens suportadas pelo KTextEditor. Essa funcionalidade utiliza os mesmos arquivos XML usados no destaque de sintaxe de cada linguagem para disponibilizar a nova complementação de código.

Como eu desenvolvi o destaque de sintaxe padrão para o editor de scripts, essa nova complementação de código foi habilitada por padrão também. Fantástico!

Então, vamos ver algumas imagens dessa nova funcionalidade em ação:

code-completion-scilab-cantor

Complementação de código para Scilab

Na figura acima a complementação de código foi utilizada para escrever um comando plot no editor de scripts para a interface com o Scilab.

code-completion-maxima-cantor

Complementação de código para Maxima

No backend do Maxima backend podemos ver a complementação de código funcionando não apenas com os comandos que iniciam com o fragmento de texto digitado: por exemplo, contour_plot apareceu na lista de sugestões.

Esta nova complementação de código está disponível para todos os backends que implementam o suporte ao editor de scripts. Para utilizá-la basta digitar Ctrl+Espaço no editor.

Existem algumas melhorias para esta funcionalidade a serem implementadas no futuro. Por exemplo, seria interessante carregar funções dos módulos/pacotes importados no editor – em Python, eu poderia executar um import numpy e as funções do numpy poderiam estar disponíveis na complementação de código também. E seria bom se as variáveis na área de trabalho do Cantor estivessem disponíveis no editor de scripts.

Mas isto é um trabalho para o futuro. Por agora, você pode se divertir com essa nova complementação de código. E obrigado a todos os  desenvolvedores do Kate por esta funcionalidade!

Sistemas Multiagentes e Smart Grids – Qualificação do Doutorado

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Pra quem tiver hoje de bobeira por São Carlos, defenderei a qualificação do doutorado por volta das 14:00h, Sala de Seminários 01 do prédio da engenharia elétrica da EESC-USP.

Sob orientação do professor Eduardo Asada, que também foi meu orientador no mestrado, o trabalho intitulado “Desenvolvimento de Sistemas Multiagentes Aplicados a Redes de Distribuição de Energia Elétrica Inteligentes” trata sobre o uso de sistemas computacionais distribuídos, baseados em multiagentes, para modelar e simular as funcionalidades esperadas das redes elétricas do futuro, chamadas smart grids.

Após a defesa coloco a apresentação nesse post.

[Update 16 de Maio de 2014] – A defesa foi bem tranquila e deu tudo certo. Como prometido, vai abaixo a apresentação da qualificação. O texto não será disponibilizado, mas quando a tese estiver pronta (próximo ano, se tudo correr bem), ela estará acessível no repositório de teses da USP.

Code completion in Cantor script editor

Some months ago I wrote about the new features available in Cantor from KDE 4.13 release. But I did not write about a new nice feature available in that release too – so let’s see the new code completion in Cantor script editor!

I coded a default syntax highlighting to each backend in script editor. Script editor is based on KatePart/KTextEditor, a great piece of code from KDE libs used in several KDE softwares like KWrite, Kate, Kile, KDevelop, and more.

The Kate guys released a new feature in KDE 4.13 release: an improved code completion for all languages supported by KTextEditor. It use the same XML file to syntax highlighting from each language to provide this new code completion.

As I coded the default syntax highlighting, the code completion for the script editor was enabled as default too. Amazing!

So, let’s see some pictures about this feature:

code-completion-scilab-cantor

Code completion in Scilab

This figure we use code completion to write a plot command in script editor from Scilab backend.

code-completion-maxima-cantor

Code completion in Maxima

In Maxima backend we can see the code completion working not only to the commands with initial string typed: for example, contour_plot is suggested in the figure.

This new code completion is available to all backends that have the script editor plugin implemented. To use it you just type Ctrl+Space in the editor.

There are some improvements to this feature to be implemented in the future. For example, it would be interesting load the functions to modules/packages imported in the editor – for example, in Python I can use import numpy and the numpy functions could be available in code completion too. The variables in the Cantor workspace could be available in the script editor too.

But it is work to the future. For now, you can have fun with this new code completion., and thanks for all Kate developers for this nice feature!

KDE packagers: give some love to Cantor

python2_select

I have some posts to write about Cantor but first I would like to request a help to KDE packagers of several Linux distros around the world.

I received some mails from users asking “how can I use python in Cantor?” or “where is python support in Cantor?”. Well, python2-backend is available in Cantor since KDE 4.12 release. If you is using KDE >= 4.12 but you can not to use python in Cantor, maybe the package was not build correctly.

python 2 development library (commonly packed as python-devel in some Linux distros) is required to build python2-backend. python 2 is required to use Cantor with python 2.

Then if you are a Cantor user and can not to use Cantor with python, please write a bug report in the bug management system of your distro. You can to put a link in the bug report to this post too.

Anyway, if your distro bring or not bring python2-backend, write a comment below and I will make a table with this information.

[UPDATE May 13, 2014] – In FISL I and Paulo Andrade, a Mandriva/Conectiva employer, noticed that Cantor is missing the Python backend in Fedora. Paulo wrote a bug report and the packager fix it. Maybe in one week the Cantor with the fix will be available in Fedora repositories. Thanks Paulo!

Minha participação no FISL 15

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Esse ano fui palestrante convidada da décima quinta edição do Fórum Internacional de Software Livre, o FISL. Eu não sabia ainda o que esperar do evento já que, por incrível que pareça, nunca tinha participado. Sou usuária de software livre desde 2007 e não sei porque cargas d’água eu nunca havia ido no FISL, mas enfim, o que importa é que esse ano eu consegui ir e vou contar para vocês algumas das minhas impressões.

Sempre ouvi falar que o FISL era um evento “mais político” que o Latinoware, que geralmente é classificado como “mais técnico”. Esse segundo eu já participo representando o KDE desde 2011 e posso falar com um pouco mais de conhecimento de causa. Mas realmente percebo essa diferença entre os dois. E isso tem muito a ver com o contexto histórico no qual se originou o FISL, a história desse evento se confunde com a história do desenvolvimento do movimento software livre aqui no Brasil. No entanto, isso não significa dizer que o FISL é superior ao Latinoware ou vice-versa, apenas que possuem perfis diferentes.

Na edição desse ano me parece que o evento estava afetado por uma polêmica que tomou conta da internet nos últimos dias, a de que o movimento software livre no Brasil tinha morrido. Na grade de programação havia uma mesa dedicada a discutir o tema. Fiz questão de assistir a ela, até porque sabia que o meu querido amigo Fred estaria lá na mesa disposto a se contrapor a essa ideia absurda de que deveríamos velar o defunto do nosso movimento.

Uma fala em particular me deixou bastante incomodada nessa palestra, era a de um dos membros da mesa que afirmava, sem muito pudor, que os ativistas de software livre que usam facebook, gmail, ubuntu, iphone e por aí vai, são todos “idiotas”. E aquilo foi como se ele dissesse que eu com meu trabalho de 7 anos para a causa do software livre, assim como tantos outros ativistas espalhados mundo afora, não fôssemos dignos de ser considerados ativistas legítimos porque usamos algumas dessas ferramentas.

Imaginei um novato que ainda usa windows/mac/etc chegando no evento super animado e interessado em saber como entrar na comunidade e se deparando com uma palestra em que a pessoa diz que ele não serve para o movimento software livre porque ele não é 100% livre. Já pensou? Bom, se a gente continuar a hostilizar todo mundo que usa tecnologias proprietárias e não souber como apresentar o software livre a essas pessoas de uma forma mais interessante, aí sim acho que o movimento vai morrer. Hostilizar as pessoas chamando-as de “idiota” é um tiro no pé. As pessoas tendem a querer se integrar a comunidades onde eles se sentem acolhidas e não hostilizadas.

Esse ativista, que se colocou numa posição melhor e superior a de todos nós, parece não ter consciência do processo de construção de toda militância política. Ele tem afirmado que “não mudou”, como se ele sempre tivesse sido esse “radical livre” que diz ser agora. Pois bem, eu não gosto de alimentar polêmicas mas vamos voltar a alguns anos atrás quando  essa mensagem foi enviada para a lista do PSL-Brasil:

Anahuac

Ok, agora vocês se quiserem saber um pouco melhor o que aconteceu nessa palestra, assistam o vídeo dela aqui. Poderão ver a minha resposta e a de muitas outras pessoas que não concordaram com essa ideia de que o movimento morreu e de que somos todos idiotas.

Vamos falar agora sobre as minhas palestras :)

Como havia dito, fui convidada para palestrar no evento e dei uma primeira palestra  (A tecnoutopia do software livre: uma história do projeto técnico e político do GNU) sobre a minha dissertação no espaço Paulo Freire, um espaço maravilhoso dedicado a discussões relacionadas a educação e tecnologia livre. Foi uma experiência muito boa palestrar lá, exatamente por poder falar diretamente com pessoas envolvidas com educação. Acredito que o tema do software livre não pode e não deve ser dissociado das discussões que perpassam educação, acesso e produção de conhecimento,  entre outros. Infelizmente no espaço Paulo Freire as palestras não são gravadas e para quem não pôde ir ao evento ou assistir as atividades do espaço, não vai ser possível saber o que rolou por lá :(

Disponibilizo aqui os slides da palestra que foi apresentada lá:

A segunda palestra foi sobre a história do Projeto GNU, aproveitei a ocasião do aniversário de 30 anos do Projeto e a finalização da minha pesquisa de mestrado sobre ele para apresentar os principais fatos que marcaram sua criação. Acho que muitas pessoas na comunidade ainda desconhecem a história desse movimento, portanto, penso que seja importante tal palestra para que a gente possa deixar claro, inclusive, contra o que estamos lutando e o que o GNU pretende. Aqui estão também os slides desta segunda palestra:

Quem quiser assistir ao vídeo da palestra completa basta clicar aqui.
Eu também estava no FISL representando a comunidade KDE, portanto, participei das atividades como colaboradora da comunidade aqui no Brasil. Fizemos um encontro comunitário, que foi gravado e pode ser assistido aqui. Nele falamos um pouco sobre o que esperar da nova versão do Plasma que será lançada em julho e tiramos algumas dúvidas sobre Qt.
Bom, o que eu posso dizer do evento é que foi muito produtivo para mim enquanto militante e pesquisadora do software livre, assim como para a comunidade KDE. A  nossa participação, mais uma vez, nesse que é um dos principais eventos de software livre da América Latina, só reafirma que a nossa comunidade está atuante e que sempre procura marcar presença com programação de alto nível para os seus usuários. Esperamos vocês em outubro no Latinoware, onde comemoraremos os 18 anos do KDE :)

Minha participação no FISL 15

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Esse ano fui palestrante convidada da décima quinta edição do Fórum Internacional de Software Livre, o FISL. Eu não sabia ainda o que esperar do evento já que, por incrível que pareça, nunca tinha participado. Sou usuária de software livre desde 2007 e não sei porque cargas d’água eu nunca havia ido no FISL, mas enfim, o que importa é que esse ano eu consegui ir e vou contar para vocês algumas das minhas impressões.

Sempre ouvi falar que o FISL era um evento “mais político” que o Latinoware, que geralmente é classificado como “mais técnico”. Esse segundo eu já participo representando o KDE desde 2011 e posso falar com um pouco mais de conhecimento de causa. Mas realmente percebo essa diferença entre os dois. E isso tem muito a ver com o contexto histórico no qual se originou o FISL, a história desse evento se confunde com a história do desenvolvimento do movimento software livre aqui no Brasil. No entanto, isso não significa dizer que o FISL é superior ao Latinoware ou vice-versa, apenas que possuem perfis diferentes.

Na edição desse ano me parece que o evento estava afetado por uma polêmica que tomou conta da internet nos últimos dias, a de que o movimento software livre no Brasil tinha morrido. Na grade de programação havia uma mesa dedicada a discutir o tema. Fiz questão de assistir a ela, até porque sabia que o meu querido amigo Fred estaria lá na mesa disposto a se contrapor a essa ideia absurda de que deveríamos velar o defunto do nosso movimento.

Uma fala em particular me deixou bastante incomodada nessa palestra, era a de um dos membros da mesa que afirmava, sem muito pudor, que os ativistas de software livre que usam facebook, gmail, ubuntu, iphone e por aí vai, são todos “idiotas”. E aquilo foi como se ele dissesse que eu com meu trabalho de 7 anos para a causa do software livre, assim como tantos outros ativistas espalhados mundo afora, não fôssemos dignos de ser considerados ativistas legítimos porque usamos algumas dessas ferramentas.

Imaginei um novato que ainda usa windows/mac/etc chegando no evento super animado e interessado em saber como entrar na comunidade e se deparando com uma palestra em que a pessoa diz que ele não serve para o movimento software livre porque ele não é 100% livre. Já pensou? Bom, se a gente continuar a hostilizar todo mundo que usa tecnologias proprietárias e não souber como apresentar o software livre a essas pessoas de uma forma mais interessante, aí sim acho que o movimento vai morrer. Hostilizar as pessoas chamando-as de “idiota” é um tiro no pé. As pessoas tendem a querer se integrar a comunidades onde eles se sentem acolhidas e não hostilizadas.

Esse ativista, que se colocou numa posição melhor e superior a de todos nós, parece não ter consciência do processo de construção de toda militância política. Ele tem afirmado que “não mudou”, como se ele sempre tivesse sido esse “radical livre” que diz ser agora. Pois bem, eu não gosto de alimentar polêmicas mas vamos voltar a alguns anos atrás quando  essa mensagem foi enviada para a lista do PSL-Brasil:

Anahuac

Ok, agora vocês se quiserem saber um pouco melhor o que aconteceu nessa palestra, assistam o vídeo dela aqui. Poderão ver a minha resposta e a de muitas outras pessoas que não concordaram com essa ideia de que o movimento morreu e de que somos todos idiotas.

Vamos falar agora sobre as minhas palestras :)

Como havia dito, fui convidada para palestrar no evento e dei uma primeira palestra  (A tecnoutopia do software livre: uma história do projeto técnico e político do GNU) sobre a minha dissertação no espaço Paulo Freire, um espaço maravilhoso dedicado a discussões relacionadas a educação e tecnologia livre. Foi uma experiência muito boa palestrar lá, exatamente por poder falar diretamente com pessoas envolvidas com educação. Acredito que o tema do software livre não pode e não deve ser dissociado das discussões que perpassam educação, acesso e produção de conhecimento,  entre outros. Infelizmente no espaço Paulo Freire as palestras não são gravadas e para quem não pôde ir ao evento ou assistir as atividades do espaço, não vai ser possível saber o que rolou por lá :(

Disponibilizo aqui os slides da palestra que foi apresentada lá:

A segunda palestra foi sobre a história do Projeto GNU, aproveitei a ocasião do aniversário de 30 anos do Projeto e a finalização da minha pesquisa de mestrado sobre ele para apresentar os principais fatos que marcaram sua criação. Acho que muitas pessoas na comunidade ainda desconhecem a história desse movimento, portanto, penso que seja importante tal palestra para que a gente possa deixar claro, inclusive, contra o que estamos lutando e o que o GNU pretende. Aqui estão também os slides desta segunda palestra:

Quem quiser assistir ao vídeo da palestra completa basta clicar aqui.
Eu também estava no FISL representando a comunidade KDE, portanto, participei das atividades como colaboradora da comunidade aqui no Brasil. Fizemos um encontro comunitário, que foi gravado e pode ser assistido aqui. Nele falamos um pouco sobre o que esperar da nova versão do Plasma que será lançada em julho e tiramos algumas dúvidas sobre Qt.
Bom, o que eu posso dizer do evento é que foi muito produtivo para mim enquanto militante e pesquisadora do software livre, assim como para a comunidade KDE. A  nossa participação, mais uma vez, nesse que é um dos principais eventos de software livre da América Latina, só reafirma que a nossa comunidade está atuante e que sempre procura marcar presença com programação de alto nível para os seus usuários. Esperamos vocês em outubro no Latinoware, onde comemoraremos os 18 anos do KDE :)